Pará vai ganhar zoneamento de risco climático para o feijão-caupi

A partir de 2020 o produtor paraense de feijão-caupi contará com um novo instrumento que garantirá mais segurança técnica e financeira às safras da cultura. Em reunião realizada nessa quinta-feira (24), na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, foram apresentados e validados os parâmetros e índices técnicos, para a operacionalização do primeiro Zoneamento de Risco Climático (ZARC) para esse cultivo no estado.

Participaram do evento diversas entidades que compõe a cadeia produtiva no Pará, com instituições de pesquisa, extensão rural, produtores e representantes da Federação da Agricultura no Estado (Faepa). Apos a validação e ajustes com a cadeia produtiva local, os dados serão sistematizados e devem ser publicados em portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para a safra 2020/2021.

O pesquisador Alailson Santiago, ponto focal da equipe do ZARC no estado e responsável técnico da reunião, explicou que o zoneamento é um passo importante para o fortalecimento da cultura, pois fornece apoio aos instrumentos de política agrícola e gestão de riscos na agricultura.

Por meio do ZARC reduz-se os riscos relacionados aos fenômenos climáticos, pois fornece a cada município e região, a indicação da melhor época de plantio considerando os diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares, conforme explicou Edson Bastos, pesquisador da Embrapa Meio-Norte. Com isso, garante-se mais segurança ao produtor, minimizando os riscos da atividade agrícola e facilitando a acesso a crédito e ao prêmio do seguro rural, desde que observadas as recomendações contidas nos pacotes tecnológicos para cada cultura.

Pará apresenta potencial de produção e acesso a novos mercados

O Pará reúne um conjunto de características que pode potencializar a produção do feijão-caupi no estado. É o que afirma o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Francisco Freire, um dos maiores especialistas em feijão do país. “O Pará tem clima e solos propícios, tecnologia de maquinário, manejo e genética. Outro aspecto importante é a infraestrutura para comercialização e exportação, por meio dos portos existentes no estado”, avalia o pesquisador.

O potencial de expansão da cultura também se beneficia da consolidação do plantio de soja que a cada ano, aumenta no estado. “O caupi é uma excelente opção para a safrinha dos plantios de soja”, enfatiza Freire.

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O primeiro ZARC de feijão-caupi do Pará foi recebido com expectativa pelo setor produtivo. O produtor Benedito Dutra disse que a cultura necessita ser fortalecida no estado, pois tem o volume de produção tem caído nos últimos anos. “O número de produtores de caupi está cada vez menor, por outro lado, os que insistem têm se profissionalizado e hoje a maior parte dos cultivos já é mecanizada, mas precisamos investir para que a cultura volte a ser produzida também pela agricultura familiar de pequeno porte, pois é um produto essencial à segurança alimentar no estado”, alerta o produtor.

Douglas Rocha Cunha, representante da Faepa, acredita que o Pará pode vir a se tornar um grande produtor nacional e garante que o caupi é altamente competitivo. “A mecanização total do feijão-caupi já é realidade e hoje é uma forte opção de investimento no estado, pois tem baixo custo de implantação e se o produtor fizer tudo certo, com os pacotes tecnológicos disponíveis, terá, com certeza, uma atraente taxa de retorno de capital e com o ZARC esse potencial se fortalece”, defende Cunha.

ZARC do feijão-caupi é definido para três estados

Além do Pará, os estados de Pernambuco e Ceará realizaram reuniões técnicas de apresentação e validação dos critérios de risco climático para a cultura do caupi. Os encontros foram iniciados no dia 22, em Recife, na sede do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Parte da equipe da Embrapa que integra o projeto ZARC, composta pelos pesquisadores da Embrapa Meio-Norte, Edson Alves Bastos e Aderson Soares de Andrade Júnior, também promoveu o debate em Fortaleza, no dia 23 e no dia 24, em Belém.

Edson Bastos lembrou que os estados de Pernambuco e Ceará já possuem o ZARC para o feijão-caupi e os encontros são de atualização e melhoramento constante da ferramente. A novidade foi mesmo a apresentação no Pará, que pela primeira vez terá o caupi na lista das culturas atendidas pelo ZARC, ao lado do milho e da soja.

Texto: Kélem Cabral/Embrapa Amazônia Oriental

Foto: Magda Cruciol

Fonte: Embrapa

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