Acervo brasileiro ajuda na descoberta de nova espécie de peixe em rio argentino

Uma nova espécie de Farlowella, gênero de peixe originário da América do Sul, foi descoberta na bacia do rio Bermejo, no noroeste da Argentina. O animal foi descrito pelo biólogo da Universidade Nacional da Colômbia, Gustavo Ballen, que atualmente realiza doutorado no Museu de Zoologia (MZ) da USP. O achado do biólogo integra uma linha de pesquisa alternativa de documentação da biodiversidade que ele realiza na instituição em paralelo ao seu doutorado.

Nova espécie de Farlowella é mais comprida que as outras do gênero – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

O acervo do museu teve grande importância para a descoberta por possuir a maior coleção do mundo de peixes de água doce da América do Sul. O espécime foi trazido para o Brasil em 2017, após colegas de Ballen, do Conselho Nacional de Pesquisa (Conicet) da Argentina, terem feito contato por conhecerem o trabalho do pesquisador com o gênero Farlowella. Espécies desse gênero, inclusive, ocorrem em toda a América do Sul.

Eles encontraram um peixe que não conseguiam saber direito onde se encaixaria dado o conhecimento atual do gênero. Então fizemos comparações com o material que temos aqui no Brasil e concluímos que realmente era uma espécie nova que precisava ser descrita”, explica o pesquisador.

O Museu de Zoologia da USP tem um vasto acervo de peixes de água doce da América do Sul – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em termos taxonômicos, ciência que lida com a descrição, identificação e classificação dos organismos, o grupo Farlowella é difícil de ser tratado, pois não há uma característica única que identifica cada espécie, mas sim uma combinação que permite a distinção entre elas. A nova espécie foi chamada de Farlowella azpelicuetae em homenagem à pesquisadora argentina María de las Mercedes Azpelicueta. Atualmente, María trabalha com ictiologia, ramo da zoologia que estuda os peixes, na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina.

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Espécie ornamental

As características que distinguiram a nova espécie foram a diferença na contagem dos suportes da nadadeira, chamados de raios, o padrão de colorido da cabeça, a configuração das placas do ventre, o comprimento do focinho, relativamente curto em comparação aos padrões do gênero, e o padrão de colorido caudal.

Gustavo Ballen é especialista no gênero de peixes Farlowella  – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Este foi o maior espécime encontrado, medindo 19,39 cm. Além disso, o gênero Farlowella, no geral, não tem interesse pesqueiro alimentício, sendo muito popular no mercado de aquários do mundo e, portanto, podendo ser caracterizado como ornamental.

Inicialmente, Ballen conta que foi montada a diagnose, um texto curto e explicativo sobre como a espécie nova difere das outras já conhecidas do gênero. Em seguida, foi feita a descrição com todas as características morfológicas do animal. Há outra seção do texto com dados ecológicos, além da distribuição da espécie, neste caso restrita à bacia hidrográfica do rio Bermejo, e uma foto de um exemplar de referência usado para a caracterização.

“Pesquisas assim são extremamente importantes para documentar a biodiversidade”, comenta Ballen ao ressaltar que, além do conhecimento gerado, esse tipo de trabalho ajuda a preservar a biodiversidade do Brasil e da América do Sul.

A descoberta foi publicada na revista científica Neotropical Ichthyology em 2019.

Mais informações: e-mail gaballench@gmail.com, com Gustavo Ballen

 

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Fonte: Jornal da USP

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