Pesquisadores identificam peixe coletado no Brasil por Darwin com base em espécimes atuais

Passando pelo Brasil durante uma das suas viagens a bordo do navio inglês HMS Beagle, Charles Darwin percorreu o interior do Rio de Janeiro por três meses no ano de 1832. Durante os seus caminhos pelo país, o naturalista coletou espécies da fauna local, incluindo dois pequenos peixes que seriam descritos por Leonard Jenyns dez anos depois como a espécie Tetragonopterus taeniatus. Segundo ele, os espécimes teriam sido coletados num córrego em Socego, dentro da província do Rio de Janeiro da época. Posteriormente, em 1910, Carl H. Eigenmann lista a espécie no gênero Astyanax sem maiores explicações e aponta como local de origem o norte do Parahyba. Já em 1921, Eigenmann ainda redescreve a mesma espécie, utilizando peixes de rios costeiros do nordeste do Brasil. Em 2001, ela é novamente descrita com base em indivíduos provenientes de um rio em Santa Maria Madalena, no estado do Rio de Janeiro, perpetuando a incerteza sobre a identidade e a localidade do peixe que havia sido coletado no século 19, gerando-se problemas com a sua correta classificação. As descrições de indivíduos da família Characidae, da qual ele faz parte – e que contempla os peixes conhecidos como lambaris –, sempre foram curtas e vagas, faltando informações cruciais para a correta identificação da espécie. Nesse caso específico, elas também foram variadas devido à mudança dos locais analisados e, por causa da imprecisão e dessas inconsistências, criou-se uma confusão taxonômica sobre a sua descrição. Peixes de diferentes áreas do Brasil, com as suas características próprias, estavam sendo identificados erroneamente como uma única espécie.

 

Texto: Nathália Cassola

Foto: Pixabay

Fonte: UFRGS Ciência

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