Plasma de pacientes “curados” da covid-19 pode tratar infectados

Pesquisadores do mundo todo procuram formas de curar a covid-19. Hospitais de São Paulo receberam autorização para usar plasma de pacientes curados de coronavírus para o tratamento de casos graves. A medida foi aprovada pela Comissão de Ética em Pesquisa (Conep) e testes clínicos deverão ocorrer em breve, assim como já ocorre em países como os Estados Unidos.

Jornal da USP no Ar conversou sobre o assunto com Vanderson Rocha, professor da área de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Ele explica que a utilização do plasma de pessoas infectadas ainda não está sendo realizada no Brasil, mas que o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, assim como outros hospitais paulistas, estão analisando as melhores formas de aplicar esse novo método.

“O plasma é um componente líquido do sangue rico em anticorpos contra as infecções. O tratamento por infusão dessa substância já foi usado inclusive no combate à influenza e a Sars, no início de 2003. Já temos essa experiência, mas ainda é uma coisa nova em relação à covid-19”, conta o doutor. Na China, esse processo foi aplicado em 19 pacientes, mas ainda não houve confirmação se os resultados foram totalmente eficazes.

No Rio de Janeiro, a infusão de plasma está sendo testada quando pacientes estão em estado grave, mas pesquisadores do HC estão avaliando a possibilidade de fazer esse tratamento antes.  Segundo Rocha, “ainda há várias dúvidas a serem respondidas a respeito desse tratamento, mas achamos que a infusão deve acontecer antes de o paciente evoluir para um quadro de insuficiência respiratória, o que aumentaria as chances de recuperação”.

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A seleção dos doadores de plasma passa por avaliação rigorosa. As pessoas que podem doar são aquelas que foram infectadas pelo coronavírus, estão há 14 dias sem sintomas da doença e não apresentam outras doenças infecciosas. A Fundação Pró-Sangue está recebendo doações de homens de 18 a 60 anos e também de mulheres que não tiveram nenhuma gravidez  e que apresentem as características exigidas. “Cerca de 60 a 80 pessoas já estão na lista para doar e estamos convocando outras”, conta o professor. Após a retirada, o plasma é separado do sangue e é refrigerado antes da infusão.

Existe um consórcio de pesquisadores que tem discutido quais são os pacientes prioritários nesse caso. Como o objetivo é controlar o avanço da doença, antes que ela ocasione quadros respiratórios graves, as pessoas com sintomatologia do início da fase de necessidade de oxigênio serão provavelmente as primeiras a serem submetidas ao tratamento.

Saiba mais sobre as pesquisas clínicas para tratamento da covid-19 ouvindo a entrevista na íntegra.

 

Áudio: Rádio USP

Foto: DiverDave via Wimedia Commons / CC BY-SA 3.0

Fonte: Jornal da USP

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