Técnica em coleta de amostra é destaque na imprensa estrangeira

Um processo não invasivo para coleta de amostras de DNA de raias ganhou destaque no site da Forbes, dos Estados Unidos. A técnica consiste em retirar uma amostra do muco que envolve os peixes para análise, evitando a necessidade da coleta de um pedaço do tecido com uso de uma tesoura ou bisturi do animal ainda vivo e sem nenhum tipo de anestésico ou qualquer outra estratégia pensando no bem-estar animal.

A notícia foi publicada pela colaboradora Melissa Cristina Márquez na editoria de Ciência do site da Forbes. O método não invasivo foi objeto de um artigo publicado na edição de março do Journal of Fish Biology, com autoria dos pesquisadores Rodrigo Domingues, da Unifesp, Alexandre Hilsdorf, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Otto Bismarck Gadig e Domingos Garrone Neto, ambos da Unesp.

Professor no campus da Unesp em Registro, Garrone Neto explica que o método permite a coleta do material genético com o mínimo de invasão. “Embora a retirada de uma amostra do tecido não seja letal, ela é prejudicial, pois causa injúria no animal que depois pode ter efeitos negativos, tal como ficar exposto à ação de patógenos”, afirma.

“O uso da técnica não invasiva para obter dados genéticos é importante, considerando que algumas espécies estão sob ameaça ou não possuem dados suficientes, de acordo com os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN)”, afirmou à Forbes o professor Otto Bismarck, coordenador do Laboratório de Pesquisas de Elasmobrânquios da Unesp de São Vicente.

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O trabalho é parte de projeto financiado pela Fapesp intitulado “Uso de submersíveis não-tripulados e telemetria acústica para o estudo do comportamento de elasmobrânquios no estado de São Paulo”, onde são usadas duas ferramentas não letais para os estudos com estes animais marinhos. “Nós aproveitamos para incluir mais essa outra abordagem, já que tínhamos acesso aos animais para inserir os transmissores e depois devolvê-los à água com vida”, aponta o pesquisador da Unifesp Rodrigo Domingues, que também assina o artigo.

Domingues explica que obter informações genéticas é de suma importância para ações de conservação e gerenciamento das espécies. Ter acesso a uma fonte de DNA das raias por um método não invasivo permite obter uma série de informações que vão desde a identificação da espécie até a estrutura genéticas da população. “Tudo isso simplesmente esfregando uma pequena quantidade de muco das espécies sem prejudicá-las”, destaca.

Apesar de já ter sido aplicado em espécies de raias do oceano Pacífico, esta é a primeira vez que o método é aplicado para espécies de raias marinhas na costa da América do Sul. “Nosso trabalho figura com ineditismo pois esse método foi testado para diferentes aplicações, tal como identificação molecular de espécies por meio da técnica chamada de DNA barcode, filogenia, diversidade genética, genética de populações e filogeografia”, explica Garrone.

 

Texto: Marcos Jorge

Foto: Pixabay

Fonte: Unesp

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