Aumento em encalhes de tartarugas marinhas no Espírito Santo preocupa pesquisadores

Encalhe ocorrido em janeiro em Guriri, São Mateus-ES (Fonte: Tamar ICMBio)

O Projeto Tamar, fruto da união de esforços entre o ICMBio e a Fundação Pró-Tamar, estão preocupados com os dados de encalhes de tartarugas marinhas no Espírito Santo, durante a última temporada reprodutiva (2018/2019), que foi de 1º de agosto de 2018 a 31 de janeiro de 2019.

Ao todo, 74 tartarugas marinhas da espécie cabeçuda (Caretta caretta), adultas e em período reprodutivo, foram encontradas encalhadas e mortas nas praias do norte do estado. Na temporada anterior (2017/2018), foram encontradas mortas e encalhadas 27 tartarugas marinhas.

Da espécie oliva (Lepidochelys olivacea), foram encontradas 85 adultas mortas, contra 30 encontradas na temporada anterior. Esses números referem-se às ocorrências nas praias de Comboios (Aracruz) até Guriri (São Mateus), com encalhes concentrando-se na região de Pontal do Ipiranga a Guriri.

Para a coordenadora do Projeto Tamar – Regional Espírito Santo, Ana Marcondes, que coordena os monitoramentos de praia, o dado preocupa, por se tratarem de indivíduos adultos em pleno período de reprodução. “Se formos pensar, cada uma dessas fêmeas adultas depositaria em média cinco ninhos, com 120 ovos cada, somente nesta temporada 2018-2019. Com certeza uma grande perda”, explica Ana Marcondes.

A pesca na região da foz do Rio Doce continua proibida e estende-se de Degredo, em Linhares, até Barra do Riacho, em Aracruz, limitando-se à profundidade de 20 metros, desde o desastre ambiental ocorrido em Mariana (MG) com repercussões na foz do rio Doce, em Regência, Linhares (ES). Além dessa proibição, o período atual é de defeso do camarão em todo o estado do Espírito Santo, seguindo até o final deste mês.

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Para o coordenador do Tamar ICMBio, Joca Thomé, o diálogo com os pescadores é contínuo. “E, ao que tudo indica, são as pescarias ilegais, durante o defeso do camarão, muito próximo às praias, que mais estão interagindo com tartarugas marinhas e matando-as. Entendemos que o setor passa por uma crise muito grande, com queda dos estoques naturais, barcos de outros estados atuando aqui e proibição de uma grande área por conta da tragédia da Samarco. Isso impacta muito o pescador e muitos deles, para sobreviver, buscam a ilegalidade. Daí a importância de se intensificarem as conversas na busca de alternativas (estado e prefeituras), assim como as ações de fiscalização, visando coibir a pesca ilegal”, explica Joca.

A cada mil filhotes que saem do ninho e ganham o mar, apenas um ou dois atingem a idade adulta aos 30 anos, retornando àquela mesma praia para desovar e perpetuar o ciclo da vida dessas espécies. As quatro espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no litoral capixaba encontram-se ameaçadas de extinção, com diferentes graus de ameaça.

Foto ilustra TED, recurso que evita captura de tartarugas (Fonte: Mar sem Fim)TED – Alternativa para salvar tartarugas marinhas

A captura de tartarugas é proibida por lei federal, mas existe uma alternativa visando protegê-las da pesca ilegal. Trata-se do TED (Turtle Excluder Device), que significa dispositivo de exclusão de tartaruga, regulamentado pela Portaria nº 5/1997, do Ibama. Ele é exigido nas embarcações e permite que as tartarugas sejam conduzidas para fora antes de chegarem ao fundo das redes de arrasto de camarão. O dispositivo tem o formato de uma grade circular de metal implantada na rede que permite às tartarugas marinhas escaparem. O camarão pescado nessas condições inclusive é comercializado com o certificado Turtle Safe (Tartaruga Salva) e se valoriza no mercado.

Texto: Sandra Tavares

Foto: Pixabay

Fonte: ICMBio

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