Laboratório na Paraíba fornece materiais estratégicos para as Forças Armadas

Os pesquisadores do Laboratório de Síntese de Materiais Cerâmicos (LabSMaC) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) não pegam em armas, não pilotam caças nem conduzem navios ou porta-aviões. Mas, equipados com canetas, tubos de ensaios e reatores, eles também têm contribuído de forma relevante para o desenvolvimento das atividades das forças militares brasileiras. É que uma parceria entre a UFCG e a Fundação Pátria está em vigor desde 2013, e, através dela, a Universidade produz subsídios essenciais a construções das forças armadas, desde blindagens de navios, aeronaves e veículos, materiais anticorrosivos e “invisíveis” ou “camufláveis” a inimigos, biocombustíveis, sensores e uma infinidade de destinações.

A parceria tem por base o projeto MATEST, referente a “materiais estratégicos”.  A Fundação Pátria, representando Marinha, Exército e Aeronáutica, elaborou a ideia e, com o apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) – uma empresa pública brasileira, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTIC), que visa o fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições –, passou a executá-lo. Inicialmente, a parceria com a UFCG se limitava à Marinha, mas logo isso foi estendido.

“Produzimos aqui todo tipo de nanomateriais, o que abre nosso leque de atuação em praticamente todos os âmbitos, seja biomateirais, biosensores, biocombustíveis, carreadores de fármacos e daí por diante, incluindo os centros absorvedores de radiação eletromagnética, que são materiais para fins militares. Nesse contexto, surgiram as primeiras propostas, juntamente com o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), e desde então, os investimentos, os resultados e as demandas só cresceram”, explicou a coordenadora do projeto na UFCG, professora Ana Cristina F. M. Costa, da Unidade Acadêmica de Engenharia de Materiais, do Centro de Ciências e Tecnologia (UAEMa/CCT), campus sede.

No caso da Marinha, o material fornecido pela Universidade é chamado de Ferrita, ou simplesmente um “Centro Absorvedor”. Ele é obtido através da reação de combustão de outros materiais até culminar em um pó ideal para uso. “Para se ter uma ideia, começamos produzindo cerca de 200g por batelada (nomeclatura para cada processo executado). No mês passado, no entanto, entregamos uma encomenda de 10kg, e outra já está em andamento”, comentou a coordenadora.

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As reações são realizadas em maquinário próprio, no espaço chamado Planta Piloto, dentro da Universidade. Trata-se de um reator com alto poder de criação, podendo chegar a produzir até 60kg de material em um mês, se utilizando de condições máximas.

“No começo, cada processo gerava cerca de 10g de Ferrita. Hoje, a cada batelada, geramos vinte vezes mais”, explicou a mestranda Sabrina Trajano, que integra a equipe. “Aumentou a produção e a qualidade. O produto final vem sendo aprovado e requisitado, alcança bom desempenho. A ideia é que, num futuro próximo, nossas empresas e as próprias forças armadas não precisem mais buscar no exterior esses materiais, pois os produziremos totalmente dentro do País”, finalizou a professora Ana Cristina.

Patentes

Nesse processo de criação, além do resultado prático e das parcerias, outro ponto de destaque são as patentes registradas pelo Laboratório. Até então, a própria Planta Piloto é uma, que foi em conjunto com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar/SP). Uma segunda patente está relacionada com uma cerâmica bioativa (cimento ósseo-magnético). E além dessas, outras estão em andamento, algumas já mais avançadas.

Para esses registros, o Núcleo de Inovação e Transferência Tecnológica (NITT/UFCG), coordenado pelo professor Nilton Silva, da Unidade Acadêmica de Engenharia Química (UAEQ), vem sendo de fundamental importância. “A primeira patente foi muito lenta, complicada, trabalhosa. Me prometi há alguns anos nem perder mais tempo com isso, e assim até deixei muita coisa de lado. Mas a UFCG conta agora com um núcleo incrível, que orienta e facilita demais todo o processo. A segunda patente foi muito mais rápida e prática, e agora o plano é seguir em frente com novos registros.  O NITT está de parabéns pelo trabalho realizado”, encerrou a coordenadora do projeto.

 

Texto: Ascom CCT/UFCG

Foto: Reprodução/UFCG

Fonte: UFCG

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