Com participação da UFMG, estação brasileira de pesquisa na Antártica será reinaugurada

Na próxima terça-feira, 14, a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) – base brasileira de pesquisas localizada na ilha de Rei George, na Antártica – será reinaugurada. Ela foi destruída no início de 2012, em razão de um incêndio. A inauguração será transmitida em tempo real pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

Convidado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e pela Marinha do Brasil, o professor do Departamento de Microbiologia da UFMG Luiz Henrique Rosa está colaborando com a montagem e instalação dos equipamentos da nova estação.

“Embarquei para Antártica no início de novembro de 2019 e permanecerei na estação até a sua inauguração no dia 14. Estou realizando os primeiros experimentos na nova EACF e testando os equipamentos e a estrutura dos novos laboratórios”, conta o professor, que tem um histórico de 14 anos de atuação no Programa Antártico Brasileiro (Proantar), com a participação em 12 operações antárticas.

Gerenciado pelos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Relações Exteriores (MRE) e da Defesa (MD), o Proantar é a instância do governo federal que coordena a pesquisa em toda a região da Antártica e mantém a Estação Comandante Ferraz. As Operações Antárticas são as expedições ao continente no âmbito desse programa.

UFMG na Antártica
Luiz Rosa é o líder do Mycoantar, projeto do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) por meio do qual são realizados estudos sobre a diversidade de fungos presentes em diferentes ambientes da Antártica, com o objetivo de avaliar a possibilidade de catalogá-los e utilizá-los como fonte de antibióticos para uso na medicina. Além do Mycoantar, a UFMG conta com dois outros projetos no âmbito do Programa Antártico Brasileiro: o Mediantar e o Laboratório de Estudos Antárticos em Ciências Humanas (Leach).

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O Mediantar reúne investigações sobre os efeitos que o ambiente inóspito da Antártica – e o isolamento que é inerente a ele – gera ou pode gerar na saúde dos pesquisadores e militares que trabalham no continente, do plano fisiológico ao psicológico. Com foco em um programa de medicina polar, o projeto é coordenado por Rosa Maria Esteves Arantes, professora do Departamento de Patologia do ICB.

No âmbito do Leach, pesquisadores investigam – por meio da recuperação de artefatos arqueológicos – a dinâmica social e os modos de vida estabelecidos nas primeiras ocupações da Antártica, entre os séculos 18 e 19. O laboratório é coordenado por Andrés Zarankin, professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich).

“Ao longo dos últimos anos”, afirma Luiz Rosa, “esses projetos vêm representando a UFMG no Proantar com alta produção científica em pesquisas sobre microbiologia, arqueologia e medicina antártica”. A partir de 2012, essas pesquisas continuaram sendo realizadas com o suporte dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs), que foram instalados no continente para dar suporte às investigações em andamento até que a nova estação fosse reconstruída. Com a reinauguração da EACF, os projetos poderão intensificar sua atuação no continente.

Conforme informa Luiz Rosa, a estrutura da nova EACF, que custou cerca de R$ 300 milhões, tem área aproximada de 4,5 mil metros quadrados, que se dividem em seis setores distintos: privativo, social, serviços, operação/manutenção, módulos isolados e 17 laboratórios.

Assista a um dos vídeos da série produzida pela TV UFMG, em parceria com o MycoProjector, que registra a missão de pesquisa do MycoAntar no continente.

 

Texto: Ewerton Martins Ribeiro

Foto: Divulgação MycoAntar / UFMG

Fonte: UFMG

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