Ensino dialógico da matemática estimula a autonomia das crianças

Pesquisa do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, câmpus Rio Claro, que resultou na tese de doutorado intitulada “Como você chegou a esse resultado?: o diálogo nas aulas de matemática dos anos iniciais do Ensino Fundamental”, da autora Ana Carolina Faustino, com orientação do professor Ole Skovsmose, mostrou que quando o ensino da matemática ocorre com foco no diálogo, com as crianças desempenhando um papel ativo no processo de ensino e aprendizagem, compartilhando as próprias perspectivas e negociando os significados matemáticos, elas apresentam melhores resultados na aquisição do conhecimento.

Ana Carolina Faustino e o professor orientador Ole Skovsmose na solenidade de entrega do Prêmio Unesp de Teses. Imagem: Arquivo Pessoal

Segundo a pesquisadora, o enino e a aprendizagem da matemática pautados no diálogo contribui para que as crianças dos anos iniciais compreendam a matemática e a relacione com as próprias vidas, o que faz com que a matemática seja encarada pelos alunos como algo que também faz parte do mundo deles.

“Uma aula de matemática baseada no diálogo pauta-se no envolvimento dos estudantes de forma ativa em atividades investigativas. Desta forma, o professor prepara a tarefa e os estudantes juntos buscam resolvê-la em pequenos grupos. Assim, os estudantes também dialogam, compartilham diferentes estratégias, decidem pelo caminho que seguirão, tomam decisões e negociam significados matemáticos. Tudo acompanhado de perto pelo professor que interage com eles, fazendo a escuta ativa, observando as escolhas, fazendo perguntas que contribuirão para sanar as dúvidas. Vão sendo desafiados o tempo todo”, diz Ana Carolina Faustino. “Ao final, o professor cria um ambiente para que os estudantes compartilhem as diferentes formas de resolução da atividade e as soluções encontradas pelos estudantes são utilizadas para sistematizar o conteúdo. Dessa forma, a aula dialógica e investigativa contribui para que aprendam de forma criativa e crítica a interagir com base no respeito ao próximo e nos valores democráticos. O que contribui para a construção de uma sociedade plural”, afirma a pesquisadora.

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A produção de dados para a pesquisa envolveu o contexto pedagógico de duas turmas dos anos iniciais do ensino fundamental de uma escola pública da cidade de Rio Claro, interior do Estado de São Paulo, mais especificamente uma do 3º ano e outra do 5º ano. O trabalho identificou dois padrões de comunicação entre as professoras e os estudantes: o ‘dialógico’ e o ‘sanduíche’, sendo este centralizado na figura do professor.

“A forma como o ambiente de aprendizagem é organizado condiciona como a comunicação é colocada em ação. O padrão ‘dialógico’ pode favorecer a emersão de significados e ideias, tornando-se fonte para o ensino e a aprendizagem de matemática. Pode ainda abrir espaço para que crianças se compreendam como seres humanos que produzem cultura e conhecimento, compartilhem diferentes perspectivas, apresentem argumentos para justificar suas perspectivas e cooperem entre si durante a aprendizagem da matemática”, avalia a cientista, que apresentou um dos capítulos da tese e a conclusão escritos em forma de diálogo, combinando rigor científico e criatividade.

Escolhido como um dos dois melhores trabalhos no tema “Sociedades Plurais”, o estudo foi agraciado com o Prêmio Unesp de Teses de 2019, cujo resultado foi divulgado em dezembro. A tese está disponível para a leitura no seguinte link: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/180358.

No momento, Ana Carolina Faustino é professora adjunta, em regime de dedicação exclusiva, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), câmpus de Naviraí (UFMS/CPNV) e líder do grupo TA’ARÕMBY – Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Matemática e Sociedade, da instituição. Também é responsável pelas disciplinas relacionadas à formação de pedagogos que ensinarão matemática aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

 

Texto: Jorge Marinho

Foto: Gerd Altmann por Pixabay

Fonte: Unesp

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