Pesquisa faz levantamento de plantas da família Gesneriaceae na Serra da Mantiqueira

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Ecologia (PPGECOL), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), realizou um levantamento de plantas da família Gesneriaceae na Serra da Mantiqueira, localizada nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. A dissertação da acadêmica Luciana Carvalho Pereira busca fornecer dados para identificação das espécies consideradas de grande valor ornamental. O trabalho também avaliou o grau de conservação, tendo como parâmetros a análise de riqueza e de diversidade.

Segundo Luciana, foi realizado um estudo bibliográfico da flora presente na Serra da Mantiqueira, que incluiu monografias disponíveis sobre Gesneriaceae – família taxonômica de plantas angiospermas, cujos órgãos reprodutivos são chamados de flores. Em seguida, de acordo com a acadêmica, foram feitas visitas aos principais herbários com coleções representativas da área estudada. “Agregamos informações que foram obtidas a partir de consultas nos bancos de dados e de imagens de coleções disponíveis online, e por fim, as coletas dos exemplares das plantas. Os dados colhidos foram tratados, e as análises de riqueza, distribuição e similaridade foram realizadas em softwares específicos.”

A mestranda Luciana

Pereira em coleta de campo

da planta

Gesneriaceae Sinningia

Cooperi (foto: arquivo

pessoal)

A pesquisadora revela que na delimitação da Serra da Mantiqueira utilizada neste trabalho, que contou com 399 municípios pertencentes aos quatro estados da Região Sudeste do Brasil, foram registradas 55 espécies nativas de Gesneriaceae, sendo 17 delas típicas da Serra. Dessas, cinco encontram-se na categoria “Criticamente em perigo”, seis “Em perigo” e seis na classe “Vulnerável”, segundo critérios adotados pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

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De acordo com o professor orientador, Luiz Menini Neto, muitas espécies desta família apresentam alto interesse ornamental e, por isso, são muito visadas por coletores e colecionadores particulares. “Essa atitude as coloca em elevado risco de extinção, juntamente com a degradação ambiental à qual a região da Serra da Mantiqueira está sujeita, como especulação imobiliária, turismo descontrolado, desmatamento para o estabelecimento de pastagens e monoculturas de eucalipto e café, dentre outras. Além da avaliação direcionada às espécies de Gesneriaceae, o estudo também vem somar com outros que proveem dados para uma tentativa de definição da delimitação geográfica da Serra da Mantiqueira, assunto extensivamente debatido ao longo do último século.”

 

Foto: Pixabay

Fonte: UFJF

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