Pesquisa sobre integração em cidades de fronteira recebe prêmio internacional

Um estudo sobre a integração entre cidades fronteiriças na América do Sul rendeu um prêmio internacional para membros do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nepri) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O grupo receberá o prêmio de melhor artigo no campo de Relações Internacionais na 60ª Convenção da International Studies Association (ISA), que ocorre entre esta terça-feira (26) e sábado (30), em Toronto, no Canadá. O trabalho que teve o reconhecimento também foi apresentado na 59ª edição do evento, no ano passado, em São Francisco, nos Estados Unidos.

A autoria é de Leonardo Mercher, professor pesquisador associado ao Nepri, e de Glaucia Bernardo e Evelise da Silva, doutorandas dos programas de pós-graduação em Políticas Públicas e Ciência Política da UFPR, respectivamente. De acordo com a equipe, o estudo foi consequência da convergência de pesquisas realizadas anteriormente pelos integrantes.

A doutoranda Glaucia Bernardo durante a apresentação do artigo na 59ª Convenção da International Studies Association (ISA), no ano passado, em São Francisco, nos EUA. Foto: Ben Leffel/Divulgação

A doutoranda Glaucia Bernardo durante apresentação do artigo na 59ª Convenção da International Studies Association (ISA), no ano passado, em São Francisco, nos EUA. Foto: Ben Leffel/Divulgação

A pesquisa, iniciada em 2017, faz uma análise sobre a cooperação e o protagonismo das cidades de fronteira na hora de desenvolver e difundir políticas públicas que beneficiam as áreas de conurbação transfronteiriças, nas quais cidades de dois países crescem ao ponto de se encontrarem. De acordo com a equipe, o estudo mobiliza temas relacionados às áreas de Relações Internacionais, Ciência Política, Políticas Públicas, Planejamento urbano e regional e Geografia.

A ISA, que está premiando o trabalho, é uma associação sediada nos Estados Unidos e possui mais de 7 mil membros registrados ao redor do mundo. A associação, fundada em 1959, organiza encontros periódicos para debater temas relacionados ao campo de Relações Internacionais.

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Resultados e processo de pesquisa

A pesquisa foi feita a partir da análise de 524 fontes documentais, como relatórios, planos de trabalho, minutas e atas de reunião dos grupos temáticos da Rede de Mercocidades, produzidos desde a criação da Rede, em 1995, até o ano passado. A Mercocidades é composta por 340 cidades da América do Sul, sendo 18 de fronteira – o Brasil possui um total de 87 cidades participantes. Além disso, documentos elaborados por prefeituras e governos locais, mapas e imagens de satélite foram usados para produzir o artigo.

Áreas de conurbação,  nas quais cidades de dois países diferentes crescem ao ponto de se encontrarem, nas fronteiras nacionais da América do Sul contendo a informação do número de habitantes nas cidades fronteiriças, em 2018. Imagem: Leonardo Mercher, Glaucia Bernardo e Evelise da Silva com base em dados de pesquisa

Áreas de conurbação,  nas quais cidades de dois países crescem ao ponto de se encontrarem, nas fronteiras nacionais da América do Sul contendo a informação do número de habitantes nas cidades fronteiriças, em 2018. Imagem: Autores do artigo

O estudo mostra que as cidades conseguem maiores resultados quando implantam políticas nas áreas de educação, cultura, turismo e planos diretores, mas assuntos como economia, trabalho e políticas migratórias são de difícil implementação devido à limitação de competências, dependendo da disposição e alinhamento dos governos centrais.

Ainda sobre os resultados, os pesquisadores destacaram a importância de confrontar o conteúdo de relatórios e documentos com dados sobre as políticas públicas implementadas, gerando um estudo diagnóstico que auxilia nas decisões dos gestores da rede, delineando projetos futuros e buscando melhorar os já existentes.

A doutoranda Evelise, do programa de pós-graduação em Ciência Política da UFPR, explica que o trabalho tenta mostrar aos gestores públicos a potencialidade de mudança que cidades pequenas e médias possuem para se desenvolverem em conformidade com a dignidade humana, especialmente nesse cenário transfronteiriço. “Os desafios são muitos, como a burocracia, o acesso de serviços públicos aos nacionais e não nacionais, mas existem possibilidades se o planejamento for em conjunto”, diz.

 

Texto: Vinicius Fin Valginhak, sob supervisão de Chirlei Kohls

Imagem: Pixabay

Fonte: UFPR

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