Brasil coordena consórcio internacional para o desenvolvimento de bioprodutos à base de resíduos agrícolas

A utilização de resíduos das cadeias produtivas da cana-de-açúcar, beterraba e eucalipto na obtenção de bioprodutos de alto valor agregado é o foco do consórcio internacional GreenMol, aprovado na chamada ERANET-LAC 3 2017/2018 promovida pela União Europeia e cujas atividades tiveram início este ano. A participação brasileira é coordenada pelo pesquisador da Embrapa Agroenergia Silvio Vaz Jr., e conta ainda com pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e Agroindústria Tropical. O consórcio de pesquisa é formado por quatro subprojetos executados em instituições de PD&I no Brasil, Alemanha, Uruguai e Polônia.

“Bioprodutos como o ácido levulínico derivado da celulose, ésteres de ácido graxo derivados da xilose e nano e micropartículas de suporte e/ou encapsulamento de lignina para liberação controlada e/ou lenta podem ser explorados a partir de biomassa de resíduos agroindustriais”, explica o pesquisador Silvio Jr.

“Na Embrapa Agroenergia, estamos finalizando as análises químicas da lignina kraft e dando início ao desenvolvimento de um suporte de liberação controlada de agroquímico à base desta lignina”, complementa. A lignina é uma macromolécula tridimensional amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose na parede celular cuja função é de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.

Segundo o pesquisador, há nesse tipo de resíduo da indústria de celulose e papel um grande potencial de mercado a ser aproveitado, com um forte viés de sustentabilidade. As demais unidades da Embrapa estão realizando a avaliação do ciclo de vida e o estudo da dinâmica dos componentes de resíduos agroindustriais no meio ambiente, com o objetivo de comprovar a sustentabilidade dos produtos e processos a serem desenvolvidos.

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O uso de biomassas de resíduos faz parte da busca da ciência por processo sustentáveis e matérias-primas renováveis, que por sua vez fazem parte da lógica da chamada “bioeconomia”, modelo de economia para o século XXI centrado na exploração sustentável de recursos biológicos.

Além do Brasil, o consórcio reúne instituições de alto nível da Alemanha (Centro de Pesquisas Jülich), do Uruguai (Universidade de La República) e da Polônia (Universidade Tecnológica da Cracóvia) e é financiado com recursos da União Europeia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e das agências alemã, uruguaia e polonesa de apoio à C&T.

A ideia é atender os mercados de cana-de-açúcar na América Latina, açúcar de beterraba na Europa e papel e celulose em ambas as regiões. “O bagaço de cana é uma importante biomassa lignocelulósica para biorrefinarias na América Latina devido à grande produção de cana-de-açúcar; o bagaço de beterraba é importante devido à produção de açúcar de beterraba na Europa e o material lenhoso de eucalipto é importante para ambas as regiões devido à indústria de papel e celulose”, explica o pesquisador.

O consórcio internacional GreenMol se propõe a preencher as lacunas científicas e tecnológicas para desenvolver e habilitar novos bioprodutos ao mercado. Até 2022, serão investidos aproximadamente 350 mil Euros (R$ 1,6 milhão) no desenvolvimento de moléculas verdes para os mercados químico e agrícola.

Texto: Irene Santana/Embrapa Agroenergia

Foto: Bishnu Sarangi por Pixabay

Fonte: Embrapa

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